Blog: Lanterna Mágica do Beto Leão
Descrição: Este blog divulga matérias sobre o cinema em geral e a respeito dos cineclubistas, curtametragistas e documentaristas goianos.
Criada por betoleao
on Qui 29 de Sep, 2005 13:54 PDT
Última modificação em Qui 16 de Jul, 2009 07:07 PDT
Última modificação em Qui 16 de Jul, 2009 07:07 PDT
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Tíquete para a cultura enviada por betoleao em Qui 16 de Jul, 2009 07:07 PDT |
Na próxima quinta-feira, em São Paulo, o presidente Lula assina lei que cria o Vale Cultura, mecanismo que dará R$ 50 mensais a cada trabalhador de baixa renda para consumo em arte
A gente não quer só comida, a gente quer bebida, diversão e arte, dizia a letra da música dos Titãs. Na próxima quinta-feira, às 18 horas, no Teatro Raul Cortez, na Federação do Comércio (Bela Vista), em São Paulo, começa a se estruturar um dos tripés dessa pequena utopia. Será assinado, com a presença do presidente Lula, o projeto de lei que cria o Vale Cultura.
Será o segundo projeto de criação do Vale Cultura a ser encaminhado ao Congresso. O primeiro tramita há três anos na Câmara e já passou por todas as instâncias (foi aprovado nas comissões por unanimidade). Mas o problema do Vale Cultura dos deputados é de verba, já que ele pediria a criação de uma despesa orçamentária extra, o que é proibido pela Lei de Responsabilidade Fiscal.
O Vale Cultura do governo Lula, por seu turno, pretende abraçar a proposta do Congresso e dar-lhe efetividade. O tíquete será subsidiado pela renúncia fiscal. O mecanismo consiste na adoção de um bônus mensal de R$ 50 para que o trabalhador gaste com consumo cultural - cinema, artes cênicas, literatura, artes visuais, audiovisual, música e patrimônio cultural. É uma variação de outras modalidades de bônus, como os vales refeição e transporte.
O "tíquete plateia" poderá atingir até 14 milhões de trabalhadores no País e injetar, de forma direta, cerca de R$ 600 milhões por mês no mercado cultural - uma inoculação anual de mais de R$ 7 bilhões no mercado (sete vezes mais do que a Lei Rouanet inteira anualmente).
Funciona assim: do valor mensal unitário de R$ 50, o governo entra com 30%; o empregador pagará 50% (terá renúncia fiscal de até 1% do Imposto de Renda devido); e o trabalhador, 20% (ou R$ 10). Apenas empresas que pagam impostos com base no lucro real poderão disponibilizar o vale-cultura aos trabalhadores.
"É um instrumento de acessibilidade", considerou recentemente o ministro da Cultura, Juca Ferreira, em entrevista a uma emissora estatal. "Porque toda empresa que paga imposto, de lucro real, vai poder disponibilizar (o vale) para os seus trabalhadores e, evidentemente, os trabalhadores vão reivindicar isso por meio dos seus sindicatos e centrais sindicais. Tende a se generalizar, como o vale-refeição."
O Vale Cultura do Congresso foi proposto em 2006 pelo então deputado (hoje ministro) José Múcio Monteiro (PTB/PE), e enfrentou diversas etapas de aprimoramento. Atualmente, repousa na mesa do relator da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC), o deputado Augusto Farias (PTB-AL) esperando assinatura.
O governo pediu autorização ao ministro José Múcio para encampar sua proposta e incorporar mecanismo concreto de financiamento do projeto. "A gente não quer a autoria, quer apenas que o Vale Cultura aconteça. Vamos aproveitar o que a Câmara já fez ", disse Alfredo Manevy, secretário executivo do Ministério da Cultura. Segundo Manevy, pelo "grande consenso" em torno da ideia, a expectativa é que a lei tenha tramitação rápida e entre em ação ainda este ano.
De fato, o Vale Cultura tem reunido apoios importantes. A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo apoia o mecanismo, assim como as centrais sindicais. Na sexta-feira, durante o XI Fórum de Governadores do Nordeste, em João Pessoa, Paraíba, todos os governadores da região divulgaram uma carta, que diz: "A atual proposta contém medidas inovadoras para a política brasileira da área, com efeitos positivos para o desenvolvimento do Nordeste. Promove a desconcentração regional e setorial do acesso aos recursos de fomento; amplia mecanismos de financiamento, indo além da renúncia fiscal; e democratiza o consumo cultural, através do Vale Cultura."
Em São Paulo, o governo do Estado já desenvolve ações do tipo, como a distribuição de 2,5 milhões de bilhetes de cinema por ano para alunos da rede pública de ensino. João Sayad, secretário de Estado da Cultura, vê com bons olhos e apoia a chegada do novo Vale Cultura.
"A política cultural do País apoia artistas e criadores através de gastos orçamentários e renúncias fiscais em todos os níveis da federação. Entretanto, não há nenhum apoio financeiro para o público. Num país de ricos e pobres, há um grande contingente de brasileiros que não tem renda suficiente para ir ao cinema, ao teatro ou a outro tipo de evento cultural", ele pondera. "O projeto de lei que institui o vale cultura, análogo ao vale transporte ou ao vale refeição, corrige e preenche uma lacuna importante das políticas culturais do País. Assim como o vale-transporte ou refeição, criará um mercado importante para a cultura no País", afirmou Sayad.
Há ainda diversas dúvidas sobre o funcionamento do sistema (por exemplo: as empresas terão de ser credenciadas?). O governo promete responder a elas a partir de segunda-feira.
CINCO DÚVIDAS
1. O vale-cultura não poderá ser usado em outros fins, como por exemplo para comprar cigarro, em vez de para consumir cultura?
O governo acredita que a troca (ou escambo) do vale por produtos é um efeito "marginal" do uso, e equivale a uma perda pequena, da mesma forma que o Vale Refeição. Não vai prejudicar o uso essencial.
2. Esse valor não é irrisório, face ao déficit cultural do brasileiro?
O valor baixo, segundo o projeto, é para desestimular fraudes tributárias (pagamento de verba salarial por meio do vale).
3. O vale-cultura poderia ser usado para consumir produtos informais, como os CDs do tecnobrega paraense?
Não é recomendado. O espírito do projeto de lei é aumentar a arrecadação de tributos, além de gerar mais empregos e criar um círculo virtuoso. A produção citada não tem taxação.
4. O vale-cultura poderá ser usado por qualquer trabalhador, desde aquele que ganha salário mínimo quanto o executivo que ganha R$ 60 mil?
Não. Apenas por trabalhadores de baixa renda. A ideia é democratizar o acesso à cultura (o trabalhador que ganha bem já pode consumir cultura).
5. O trabalhador pode levar a mulher ou algum filho ao cinema com o vale-cultura?
Pode. O problema é que vai gastar seu tíquete muito rápido, mas é permitido. (Jotabê Medeiros/Estadão)
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Cineclubismo goiano na onda da autossustentabilidade enviada por betoleao em Qui 16 de Jul, 2009 05:39 PDT |
Cineclubistas, produtores e cinéfilos terão incentivo e orientação para utilizar o cinema como um instrumento de transformação social autossustentável. A Associação Cultural Tela Brasílis, em co-realização com a Associação Brasileira de Documentaristas - seção Goiás (ABD-GO), realiza nesta sexta e sábado (17 e 18), no Centro Cultural Cara Vídeo, a etapa estadual do Circuito em Construção – Seminários Estaduais para a Autossustentabilidade Cineclubista. Qualquer pessoa que tiver interesse pelo tema pode participar. Basta se inscrever no blog www.cineclubecascavel.blogspot.com.
A entrada é gratuita e os 50 primeiros inscritos receberão material de apoio.
Quem tiver interesse em fundar um cineclube e não sabe bem como fazer isso, como produtores, realizadores, difusores, distribuidores, associações de classe e agentes de secretarias de cultura e educação são muito bem-vindos. O evento, aliás, não se restringe a panelinhas e será realizado exatamente para difundir o cineclubismo, que esse ano completa 81 anos no Brasil, e instruir sobre sua formação e manutenção. “Exibição é coisa cara. Os cineclubes têm a premissa de não serem lucrativos, o que não impede que se pense em maneiras de sustentar e viabilizar essa atividade para quem a realiza”, explica Luiz Felipe Mundim, coordenador do Cine Mais Cultura da ABD-GO e do Cineclube Cascavel.
Nos dois dias de seminário serão realizadas seis mesas-redondas, que discutirão temas como O Panorama do Cineclubismo no Brasil e no Mundo; Cineclubismo e Memória em Goiás; Direitos Autorais; Programação e Distribuidores de Conteúdo; Cineclubes, uma rede em defesa dos direitos do público; Mecanismos de Financiamento da Cultura; Relatos de Experiências Locais.
O Seminário vai contar com as presenças de Antônio Claudino de Jesus, presidente do CNC; Eduardo Ades, produtor executivo da Associaçõ CulturalTela Brasilis; RodrigoBouillet, coordenador de produção da ação Cine Mais Cultura; Beto Leão, presidente da ABD-GO, além de diversos cineclubistas goianos.
Quem tiver interesse em fundar um cineclube e não sabe bem como fazer isso, como produtores, realizadores, difusores, distribuidores, associações de classe e agentes de secretarias de cultura e educação são muito bem-vindos. O evento, aliás, não se restringe a panelinhas e será realizado exatamente para difundir o cineclubismo, que esse ano completa 81 anos no Brasil, e instruir sobre sua formação e manutenção. “Exibição é coisa cara. Os cineclubes têm a premissa de não serem lucrativos, o que não impede que se pense em maneiras de sustentar e viabilizar essa atividade para quem a realiza”, explica Luiz Felipe Mundim, coordenador do Cine Mais Cultura da ABD-GO e do Cineclube Cascavel.
Nos dois dias de seminário serão realizadas seis mesas-redondas, que discutirão temas como O Panorama do Cineclubismo no Brasil e no Mundo; Cineclubismo e Memória em Goiás; Direitos Autorais; Programação e Distribuidores de Conteúdo; Cineclubes, uma rede em defesa dos direitos do público; Mecanismos de Financiamento da Cultura; Relatos de Experiências Locais.
O Seminário vai contar com as presenças de Antônio Claudino de Jesus, presidente do CNC; Eduardo Ades, produtor executivo da Associaçõ CulturalTela Brasilis; RodrigoBouillet, coordenador de produção da ação Cine Mais Cultura; Beto Leão, presidente da ABD-GO, além de diversos cineclubistas goianos.
Quando: 17 e 18 de julho, das 9h às 18h
Onde: Centro Cultural Cara Vídeo - Rua 83, nº 361, Setor Sul, Goiânia-GO
Inscrições gratuitas pelo: www.cineclubecascavel.blogspot.com
Vagas limitadas
Mais informações: (62) 3218-6895 (Delma ou Tatiane)
Onde: Centro Cultural Cara Vídeo - Rua 83, nº 361, Setor Sul, Goiânia-GO
Inscrições gratuitas pelo: www.cineclubecascavel.blogspot.com
Vagas limitadas
Mais informações: (62) 3218-6895 (Delma ou Tatiane)
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Festival de Gramado divulga selecionados da 37.ª edição enviada por betoleao em Qua 15 de Jul, 2009 05:52 PDT |
Ator Reginaldo Faria será homenageado com o Troféu Oscarito e o cineasta Ruy Guerra, com o Kikito de Cristal
O Festival de Cinema de Gramado, que vai homenagear o ator Reginaldo Faria com o Troféu Oscarito e o cineasta Ruy Guerra com o Kikito de Cristal, anuncia os onze longas-metragens que disputam sua 37.ª edição. O evento acontece de 9 a 15 de agosto na cidade serrana do Rio Grande do Sul e terá filmes nacionais e estrangeiros na competição pelo troféu Kikito.

Cena do filme 'Em Teu Nome', de Paulo Nascimento, que disputa o Kikito.
Segundo os organizadores do festival, o número de filmes nacionais inscritos chegou a 85 títulos, quase o dobro do número registrado no ano passado. Nesta edição, serão homenageados também o veterano produtor gaúcho Itacyr Rossi e o diretor de fotografia Ivo Czamanski, por seus 50 anos de carreira.
Competição nacional:
Canção de Baal, de Helena Ignez
Cildo, de Carlos Moura
Corpos Celestes, de Marcos Jorge e Fernando Severo
Corumbiara, de Vincent Carelli
Em Teu Nome, de Paulo Nascimento
Quase Um Tango, de Sérgio Silva
Competição estrangeira:
Gigante, de Adrián Biniez (Uruguai)
A Teta Assustada, de Claudia Llosa (Peru)
Lluvia, de Paula Hernandez (Argentina)
La Proxima Estación, de Fernando Solanas (Argentina)
Nochebuena, de Maria Camila Loboguerrero (Colômbia)
O Festival de Cinema de Gramado, que vai homenagear o ator Reginaldo Faria com o Troféu Oscarito e o cineasta Ruy Guerra com o Kikito de Cristal, anuncia os onze longas-metragens que disputam sua 37.ª edição. O evento acontece de 9 a 15 de agosto na cidade serrana do Rio Grande do Sul e terá filmes nacionais e estrangeiros na competição pelo troféu Kikito.
Cena do filme 'Em Teu Nome', de Paulo Nascimento, que disputa o Kikito.
Segundo os organizadores do festival, o número de filmes nacionais inscritos chegou a 85 títulos, quase o dobro do número registrado no ano passado. Nesta edição, serão homenageados também o veterano produtor gaúcho Itacyr Rossi e o diretor de fotografia Ivo Czamanski, por seus 50 anos de carreira.
Competição nacional:
Canção de Baal, de Helena Ignez
Cildo, de Carlos Moura
Corpos Celestes, de Marcos Jorge e Fernando Severo
Corumbiara, de Vincent Carelli
Em Teu Nome, de Paulo Nascimento
Quase Um Tango, de Sérgio Silva
Competição estrangeira:
Gigante, de Adrián Biniez (Uruguai)
A Teta Assustada, de Claudia Llosa (Peru)
Lluvia, de Paula Hernandez (Argentina)
La Proxima Estación, de Fernando Solanas (Argentina)
Nochebuena, de Maria Camila Loboguerrero (Colômbia)
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Dura tarefa de conseguir patrocínio enviada por betoleao em Qua 15 de Jul, 2009 05:02 PDT |
Filmes que tratam de assuntos polêmicos como violência, prostituição e homossexualidade afastam investidores
Aluizio Abranches, diretor de "Do começo ao Fim", filme orçado em R$ 1,2 milhão, conseguiu apenas R$ 300 mil de patrocínio privado
Aluizio Abranches, diretor de Do começo ao fim, filme orçado em R$ 1,2 milhão, conseguiu apenas R$ 300 mil de patrocínio privadoRodrigo Letier, da TV Zero, já se acostumou com os olhares de reprovação na hora de apresentar seu projeto. “Mas tem tanto exemplo bacana de brasileiros que deram certo, e vocês vão fazer justo um filme sobre uma menina que vira garota de programa?”, já chegaram a dizer.
– Tem muito preconceito sobre a temática. Filme de puta, não querem nem saber – diz ele, produtor do aguardado filme O doce veneno do escorpião – Bruna Surfistinha.
A situação é tão complicada que nem os captadores de patrocínio quiseram se arriscar.
– Diziam: “Eu nem pego um filme desses para trabalhar” – conta Letier, que até há pouco só tinha conseguido dinheiro da distribuidora Imagem Filmes, via artigo 3º. Agora, ganhou um edital da Prefeitura de Paulínia, no valor de R$ 700 mil. O filme está orçado em R$ 4 milhões.
Como ele, outros produtores e cineastas dão com a cara na porta na hora de pedir patrocínio. Temas como prostituição, drogas, violência, homossexualidade e incesto afastam os investidores.
– Homossexualidade dá um medo danado, ainda mais quando é tratada com a maior naturalidade – diz Aluizio Abranches, que está filmando Do começo ao fim, sobre a relação amorosa entre dois irmãos.
Ele recebeu sugestões de mudança. Teve quem propusesse a troca por duas irmãs. Ou por dois primos. Mas ele acha que o incesto nem é o que mais afasta os financiadores.
– O incesto é muito inusitado. A homossexualidade ronda mais a sociedade, logo amedronta mais.
Quem também penou atrás de verba foi o casseta Claudio Manoel, que fez Simonal – Ninguém sabe o duro que eu dei, ao lado de Calvito Leal e Micael Langer.
– A maioria não tinha a menor ideia do que eu estava falando – relembra Claudio Manoel. – Peguei um diretor de marketing, de seus 20 e poucos anos, seis assessores, cinco celulares, que disse: “Por favor, me fala em cinco minutos.” Falei, e ele completou: “Não sei quem é, vou mandar pesquisar. Nunca li um livro, não compro CD, não vou ao cinema há anos. Tô aqui porque sou bom em...” e começou a falar um monte de palavras em inglês. Era como pregar no silêncio.
– Os que conheciam Simonal diziam: “Não se mete nisso, não entra nessa, não. É perigoso.” Vi gente dizer: “Mudou o governo, entrou o Lula, e agora você vai fazer um filme sobre um cara de direita?” A tradição e o nome conhecido não garantem a chave do cofre.
– Passei por dificuldades homéricas para fazer Última parada 174. Não são só os patrocinadores, os editais também evitam certos temas – diz o cineasta Bruno Barreto. Produtores consagrados igualmente penam se escolhem um assunto fora do padrão.
– As empresas privadas dizem “não” de cara quando ouvem que o filme é sobre drogas – conta Mariza Leão, referindo-se a Meu nome não é Johnny.
– Diziam: “Ah, tudo menos droga! Nossa empresa não quer ter sua imagem associada à droga, à violência etc.”
Mariza Leão só conseguiu um investidor privado, o Banco Máxima, que foi minoritário. Os demais foram BNDES, Petrobras, BBDTVM e Sony, via artigo 3º. O filme custou R$ 5,5 milhões e fez 2.115.000 espectadores: um sucesso de bilheteria. Ela também sofreu na época de Guerra de Canudos.
– Argumentavam que “ninguém ia querer ver um filme de nordestino levando paulada de um velho maluco” (Antônio Conselheiro). Sem contar no homem que me recebeu e, depois que eu expliquei tudo sobre Canudos e Euclides da Cunha, perguntou: “E quem vai fazer o papel de Lampião?”
Esse título?
Nem sempre a temática é o que afasta. Às vezes, a recusa vem logo pelo título.
– Eu ouvia: “Você está brincando comigo que vai fazer um filme com esse título!” – lembra Heitor Dhalia, que fez O cheiro do ralo, protagonizado pelo ator Selton Mello.
– Se a pessoa virava a primeira página, dava de cara com a primeira linha do roteiro: “Câmara segue uma bunda.” Ou seja, se conseguia escapar do título, o que era difícil, parava na primeira linha.
A pressão para mudar o nome do filme foi grande, segundo Dhalia. “Se alguém me der um nome melhor, eu mudo. Não deram”, relembra.
A resposta dos possíveis patrocinadores era inevitável: “Não vou dar um centavo para esse filme.” E, de fato, ele não conseguiu um centavo, público ou privado. Dhalia chegou a pensar em desistir:
– “Chega de sofrer”, pensei. Mas fui jantar com um amigo que falou: “Faz de qualquer jeito, faz com câmera digital.”
A maneira encontrada foi os produtores do filme investirem, e técnicos e produtores trabalharem em sistema de cooperativa. O longa saiu por escassos R$ 300 mil. O próprio Dhalia contribuiu com R$ 50 mil, outros dois produtores botaram R$ 50 mil cada e um terceiro investiu R$ 150 mil. Mas o diretor entende as dificuldades que seu filme enfrentou.
– Por mais liberal que seja, o diretor de marketing não tem como justificar dentro da empresa.
Já o humorista do Casseta e Planeta e cineasta Claudio Manoel acreditou que a fama seria um facilitador. Engano.
– Facilitou na hora de marcar coisas. Nesse sentido, Seu Creysson me ajudou bastante. Mas foi só. E ele também esvaziou o bolso. “Tirei R$ 500 mil, R$ 600 mil”, lembra.
Falta de verba não desanima
O filme de Abranches está orçado em R$ 1,2 milhão. Ele só conseguiu dois patrocinadores privados – um deu R$ 100 mil, e o outro, R$ 200 mil. Mas, curiosamente, nenhum dos dois quer aparecer, a exemplo do que também aconteceu com Claudio Manoel. É uma situação inusitada, já que, em geral, quem patrocina quer ver sua marca exibida publicamente. De resto, ele só conseguiu arrumar mais R$ 100 mil, de uma distribuidora. O desinteresse do patrocinador não necessariamente se reflete na bilheteria. Simonal já passou de 60 mil espectadores. O cheiro do ralo conseguiu 200 mil espectadores, fora o que foi visto em DVD e na TV.
– O projeto da Bruna Surfistinha é muito aguardado. Há uma expectativa enorme – diz Rodrigo Letier.
Abranches também está confiante na bilheteria de Do começo ao fim. Mas, mesmo que não estivesse, ainda assim não desanimaria.
– Não quero me sentir obrigado a fazer um policial ou uma comédia só para poder exercer minha profissão. Se eu for obrigado a fazer só o que dá certo, só a fórmula, não estarei me expressando. Aí vou ser concierge de hotel.
Fonte: Da Agência O Globo, do Rio de Janeiro
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Dura tarefa de conseguir patrocínio enviada por betoleao em Qua 15 de Jul, 2009 05:01 PDT |
Filmes que tratam de assuntos polêmicos como violência, prostituição e homossexualidade afastam investidores
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Aluizio Abranches, diretor de "Do começo ao Fim", filme orçado em R$ 1,2 milhão, conseguiu apenas R$ 300 mil de patrocínio privado
Aluizio Abranches, diretor de Do começo ao fim, filme orçado em R$ 1,2 milhão, conseguiu apenas R$ 300 mil de patrocínio privadoRodrigo Letier, da TV Zero, já se acostumou com os olhares de reprovação na hora de apresentar seu projeto. “Mas tem tanto exemplo bacana de brasileiros que deram certo, e vocês vão fazer justo um filme sobre uma menina que vira garota de programa?”, já chegaram a dizer.
– Tem muito preconceito sobre a temática. Filme de puta, não querem nem saber – diz ele, produtor do aguardado filme O doce veneno do escorpião – Bruna Surfistinha.
A situação é tão complicada que nem os captadores de patrocínio quiseram se arriscar.
– Diziam: “Eu nem pego um filme desses para trabalhar” – conta Letier, que até há pouco só tinha conseguido dinheiro da distribuidora Imagem Filmes, via artigo 3º. Agora, ganhou um edital da Prefeitura de Paulínia, no valor de R$ 700 mil. O filme está orçado em R$ 4 milhões.
Como ele, outros produtores e cineastas dão com a cara na porta na hora de pedir patrocínio. Temas como prostituição, drogas, violência, homossexualidade e incesto afastam os investidores.
– Homossexualidade dá um medo danado, ainda mais quando é tratada com a maior naturalidade – diz Aluizio Abranches, que está filmando Do começo ao fim, sobre a relação amorosa entre dois irmãos.
Ele recebeu sugestões de mudança. Teve quem propusesse a troca por duas irmãs. Ou por dois primos. Mas ele acha que o incesto nem é o que mais afasta os financiadores.
– O incesto é muito inusitado. A homossexualidade ronda mais a sociedade, logo amedronta mais.
Quem também penou atrás de verba foi o casseta Claudio Manoel, que fez Simonal – Ninguém sabe o duro que eu dei, ao lado de Calvito Leal e Micael Langer.
– A maioria não tinha a menor ideia do que eu estava falando – relembra Claudio Manoel. – Peguei um diretor de marketing, de seus 20 e poucos anos, seis assessores, cinco celulares, que disse: “Por favor, me fala em cinco minutos.” Falei, e ele completou: “Não sei quem é, vou mandar pesquisar. Nunca li um livro, não compro CD, não vou ao cinema há anos. Tô aqui porque sou bom em...” e começou a falar um monte de palavras em inglês. Era como pregar no silêncio.
– Os que conheciam Simonal diziam: “Não se mete nisso, não entra nessa, não. É perigoso.” Vi gente dizer: “Mudou o governo, entrou o Lula, e agora você vai fazer um filme sobre um cara de direita?” A tradição e o nome conhecido não garantem a chave do cofre.
– Passei por dificuldades homéricas para fazer Última parada 174. Não são só os patrocinadores, os editais também evitam certos temas – diz o cineasta Bruno Barreto. Produtores consagrados igualmente penam se escolhem um assunto fora do padrão.
– As empresas privadas dizem “não” de cara quando ouvem que o filme é sobre drogas – conta Mariza Leão, referindo-se a Meu nome não é Johnny.
– Diziam: “Ah, tudo menos droga! Nossa empresa não quer ter sua imagem associada à droga, à violência etc.”
Mariza Leão só conseguiu um investidor privado, o Banco Máxima, que foi minoritário. Os demais foram BNDES, Petrobras, BBDTVM e Sony, via artigo 3º. O filme custou R$ 5,5 milhões e fez 2.115.000 espectadores: um sucesso de bilheteria. Ela também sofreu na época de Guerra de Canudos.
– Argumentavam que “ninguém ia querer ver um filme de nordestino levando paulada de um velho maluco” (Antônio Conselheiro). Sem contar no homem que me recebeu e, depois que eu expliquei tudo sobre Canudos e Euclides da Cunha, perguntou: “E quem vai fazer o papel de Lampião?”
Esse título?
Nem sempre a temática é o que afasta. Às vezes, a recusa vem logo pelo título.
– Eu ouvia: “Você está brincando comigo que vai fazer um filme com esse título!” – lembra Heitor Dhalia, que fez O cheiro do ralo, protagonizado pelo ator Selton Mello.
– Se a pessoa virava a primeira página, dava de cara com a primeira linha do roteiro: “Câmara segue uma bunda.” Ou seja, se conseguia escapar do título, o que era difícil, parava na primeira linha.
A pressão para mudar o nome do filme foi grande, segundo Dhalia. “Se alguém me der um nome melhor, eu mudo. Não deram”, relembra.
A resposta dos possíveis patrocinadores era inevitável: “Não vou dar um centavo para esse filme.” E, de fato, ele não conseguiu um centavo, público ou privado. Dhalia chegou a pensar em desistir:
– “Chega de sofrer”, pensei. Mas fui jantar com um amigo que falou: “Faz de qualquer jeito, faz com câmera digital.”
A maneira encontrada foi os produtores do filme investirem, e técnicos e produtores trabalharem em sistema de cooperativa. O longa saiu por escassos R$ 300 mil. O próprio Dhalia contribuiu com R$ 50 mil, outros dois produtores botaram R$ 50 mil cada e um terceiro investiu R$ 150 mil. Mas o diretor entende as dificuldades que seu filme enfrentou.
– Por mais liberal que seja, o diretor de marketing não tem como justificar dentro da empresa.
Já o humorista do Casseta e Planeta e cineasta Claudio Manoel acreditou que a fama seria um facilitador. Engano.
– Facilitou na hora de marcar coisas. Nesse sentido, Seu Creysson me ajudou bastante. Mas foi só. E ele também esvaziou o bolso. “Tirei R$ 500 mil, R$ 600 mil”, lembra.
Falta de verba não desanima
O filme de Abranches está orçado em R$ 1,2 milhão. Ele só conseguiu dois patrocinadores privados – um deu R$ 100 mil, e o outro, R$ 200 mil. Mas, curiosamente, nenhum dos dois quer aparecer, a exemplo do que também aconteceu com Claudio Manoel. É uma situação inusitada, já que, em geral, quem patrocina quer ver sua marca exibida publicamente. De resto, ele só conseguiu arrumar mais R$ 100 mil, de uma distribuidora. O desinteresse do patrocinador não necessariamente se reflete na bilheteria. Simonal já passou de 60 mil espectadores. O cheiro do ralo conseguiu 200 mil espectadores, fora o que foi visto em DVD e na TV.
– O projeto da Bruna Surfistinha é muito aguardado. Há uma expectativa enorme – diz Rodrigo Letier.
Abranches também está confiante na bilheteria de Do começo ao fim. Mas, mesmo que não estivesse, ainda assim não desanimaria.
– Não quero me sentir obrigado a fazer um policial ou uma comédia só para poder exercer minha profissão. Se eu for obrigado a fazer só o que dá certo, só a fórmula, não estarei me expressando. Aí vou ser concierge de hotel.
Fonte: Da Agência O Globo, do Rio de Janeiro
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Dura tarefa de conseguir patrocínio enviada por betoleao em Qua 15 de Jul, 2009 04:58 PDT |
Filmes que tratam de assuntos polêmicos como violência, prostituição e homossexualidade afastam investidores
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Aluizio Abranches, diretor de "Do começo ao Fim", filme orçado em R$ 1,2 milhão, conseguiu apenas R$ 300 mil de patrocínio privado
Aluizio Abranches, diretor de Do começo ao fim, filme orçado em R$ 1,2 milhão, conseguiu apenas R$ 300 mil de patrocínio privadoRodrigo Letier, da TV Zero, já se acostumou com os olhares de reprovação na hora de apresentar seu projeto. “Mas tem tanto exemplo bacana de brasileiros que deram certo, e vocês vão fazer justo um filme sobre uma menina que vira garota de programa?”, já chegaram a dizer.
– Tem muito preconceito sobre a temática. Filme de puta, não querem nem saber – diz ele, produtor do aguardado filme O doce veneno do escorpião – Bruna Surfistinha.
A situação é tão complicada que nem os captadores de patrocínio quiseram se arriscar.
– Diziam: “Eu nem pego um filme desses para trabalhar” – conta Letier, que até há pouco só tinha conseguido dinheiro da distribuidora Imagem Filmes, via artigo 3º. Agora, ganhou um edital da Prefeitura de Paulínia, no valor de R$ 700 mil. O filme está orçado em R$ 4 milhões.
Como ele, outros produtores e cineastas dão com a cara na porta na hora de pedir patrocínio. Temas como prostituição, drogas, violência, homossexualidade e incesto afastam os investidores.
– Homossexualidade dá um medo danado, ainda mais quando é tratada com a maior naturalidade – diz Aluizio Abranches, que está filmando Do começo ao fim, sobre a relação amorosa entre dois irmãos.
Ele recebeu sugestões de mudança. Teve quem propusesse a troca por duas irmãs. Ou por dois primos. Mas ele acha que o incesto nem é o que mais afasta os financiadores.
– O incesto é muito inusitado. A homossexualidade ronda mais a sociedade, logo amedronta mais.
Quem também penou atrás de verba foi o casseta Claudio Manoel, que fez Simonal – Ninguém sabe o duro que eu dei, ao lado de Calvito Leal e Micael Langer.
– A maioria não tinha a menor ideia do que eu estava falando – relembra Claudio Manoel. – Peguei um diretor de marketing, de seus 20 e poucos anos, seis assessores, cinco celulares, que disse: “Por favor, me fala em cinco minutos.” Falei, e ele completou: “Não sei quem é, vou mandar pesquisar. Nunca li um livro, não compro CD, não vou ao cinema há anos. Tô aqui porque sou bom em...” e começou a falar um monte de palavras em inglês. Era como pregar no silêncio.
– Os que conheciam Simonal diziam: “Não se mete nisso, não entra nessa, não. É perigoso.” Vi gente dizer: “Mudou o governo, entrou o Lula, e agora você vai fazer um filme sobre um cara de direita?” A tradição e o nome conhecido não garantem a chave do cofre.
– Passei por dificuldades homéricas para fazer Última parada 174. Não são só os patrocinadores, os editais também evitam certos temas – diz o cineasta Bruno Barreto. Produtores consagrados igualmente penam se escolhem um assunto fora do padrão.
– As empresas privadas dizem “não” de cara quando ouvem que o filme é sobre drogas – conta Mariza Leão, referindo-se a Meu nome não é Johnny.
– Diziam: “Ah, tudo menos droga! Nossa empresa não quer ter sua imagem associada à droga, à violência etc.”
Mariza Leão só conseguiu um investidor privado, o Banco Máxima, que foi minoritário. Os demais foram BNDES, Petrobras, BBDTVM e Sony, via artigo 3º. O filme custou R$ 5,5 milhões e fez 2.115.000 espectadores: um sucesso de bilheteria. Ela também sofreu na época de Guerra de Canudos.
– Argumentavam que “ninguém ia querer ver um filme de nordestino levando paulada de um velho maluco” (Antônio Conselheiro). Sem contar no homem que me recebeu e, depois que eu expliquei tudo sobre Canudos e Euclides da Cunha, perguntou: “E quem vai fazer o papel de Lampião?”
Esse título?
Nem sempre a temática é o que afasta. Às vezes, a recusa vem logo pelo título.
– Eu ouvia: “Você está brincando comigo que vai fazer um filme com esse título!” – lembra Heitor Dhalia, que fez O cheiro do ralo, protagonizado pelo ator Selton Mello.
– Se a pessoa virava a primeira página, dava de cara com a primeira linha do roteiro: “Câmara segue uma bunda.” Ou seja, se conseguia escapar do título, o que era difícil, parava na primeira linha.
A pressão para mudar o nome do filme foi grande, segundo Dhalia. “Se alguém me der um nome melhor, eu mudo. Não deram”, relembra.
A resposta dos possíveis patrocinadores era inevitável: “Não vou dar um centavo para esse filme.” E, de fato, ele não conseguiu um centavo, público ou privado. Dhalia chegou a pensar em desistir:
– “Chega de sofrer”, pensei. Mas fui jantar com um amigo que falou: “Faz de qualquer jeito, faz com câmera digital.”
A maneira encontrada foi os produtores do filme investirem, e técnicos e produtores trabalharem em sistema de cooperativa. O longa saiu por escassos R$ 300 mil. O próprio Dhalia contribuiu com R$ 50 mil, outros dois produtores botaram R$ 50 mil cada e um terceiro investiu R$ 150 mil. Mas o diretor entende as dificuldades que seu filme enfrentou.
– Por mais liberal que seja, o diretor de marketing não tem como justificar dentro da empresa.
Já o humorista do Casseta e Planeta e cineasta Claudio Manoel acreditou que a fama seria um facilitador. Engano.
– Facilitou na hora de marcar coisas. Nesse sentido, Seu Creysson me ajudou bastante. Mas foi só. E ele também esvaziou o bolso. “Tirei R$ 500 mil, R$ 600 mil”, lembra.
Falta de verba não desanima
O filme de Abranches está orçado em R$ 1,2 milhão. Ele só conseguiu dois patrocinadores privados – um deu R$ 100 mil, e o outro, R$ 200 mil. Mas, curiosamente, nenhum dos dois quer aparecer, a exemplo do que também aconteceu com Claudio Manoel. É uma situação inusitada, já que, em geral, quem patrocina quer ver sua marca exibida publicamente. De resto, ele só conseguiu arrumar mais R$ 100 mil, de uma distribuidora. O desinteresse do patrocinador não necessariamente se reflete na bilheteria. Simonal já passou de 60 mil espectadores. O cheiro do ralo conseguiu 200 mil espectadores, fora o que foi visto em DVD e na TV.
– O projeto da Bruna Surfistinha é muito aguardado. Há uma expectativa enorme – diz Rodrigo Letier.
Abranches também está confiante na bilheteria de Do começo ao fim. Mas, mesmo que não estivesse, ainda assim não desanimaria.
– Não quero me sentir obrigado a fazer um policial ou uma comédia só para poder exercer minha profissão. Se eu for obrigado a fazer só o que dá certo, só a fórmula, não estarei me expressando. Aí vou ser concierge de hotel.
Fonte: Da Agência O Globo, do Rio de Janeiro
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O massacre em Corumbiara leva prêmio do público enviada por betoleao em Ter 14 de Jul, 2009 08:35 PDT |
O documentário brasileiro "Corumbiara", de Vincent Carelli, ganhador do Fica deste ano, foi o vencedor do prêmio do público do 4º Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo, encerrado no último domingo.
O massacre de Corumbiara mostra que o conflito na fazenda Santa Elina tem as mesmas características de milhares de conflitos por terra que aconteceram e acontecem no Brasil, e que o massacre de Corumbiara tem a mesma gênese de tantos outros massacres acontecidos contra camponeses, posseiros e índios ao longo de quinhentos anos de luta pelo acesso e posse à terra, evidenciando que o país ainda não resolveu sua questão agrária.
No dia 14 de julho de 1995, centenas de famílias ocuparam uma pequena parte da fazenda Santa Elina no município de Corumbiara (Rondônia), e na madrugada do dia 9 de agosto aconteceu o massacre de Corumbiara. Os camponeses que viveram vinte e cinco dias de esperança da terra prometida, de repente, abismaram-se num inferno dantesco, onde homens foram executados sumariamente, mulheres foram usadas como escudos humanos por policiais e por jagunços; pessoas foram torturados por longas horas e o acampamento foi destruído e incendiado.
Na apuração dos fatos, nos processos judiciais e no júri, ficou evidenciado que os camponeses é que pagaram muito caro por terem sonhado com o acesso à terra e por terem ido à luta para concretizar aquele sonho, que, afinal, é o sonho de milhares de sem terra. Ninguém foi responsabilizado pelas torturas que aquelas pessoas sofreram, os órfãos e as viúvas estão desamparadas, existe gente desaparecida até hoje e muitos trabalhadores estão debilitados física e emocionalmente, por sequelas causadas pelos maus tratos recebidos durante a desocupação da fazenda Santa Elina.
“Corumbiara” é um esforço emocionante do documentarista Vincent Carelli para provar o extermínio de índios no sul de Rondônia e tentar contato com os remanescentes de tribos isoladas. Após 20 anos dedicados a essa luta, que teve início em 1986, Carelli contenta-se em apenas contar a história dos índios, já que esbarra na dificuldade de transpor obstáculos recorrentes para fazer justiça.
“As evidências são claras, mas a lei do silêncio impera na região”, disse o diretor, que tem como guia no filme o indigenista da Funai Marcelo dos Santos. O primeiro contato com índios isolados acontece em 1985. A equipe comandada por Marcelo consegue avistar dois membros da tribo Kanoê e faz uma aproximação cuidadosa. Demora até que eles percebam a boa vontade dos brancos.
“A impossibilidade de comunicar nos colocava de novo dentro de um mistério. Quem são eles?”, pergunta-se Carelli, como narrador do próprio filme. Aos poucos, a equipe entende que houve um massacre na região, cometido por capangas de fazendeiros, e ela está diante dos últimos sobreviventes. O contato estende-se a outra tribo, os Akunsu, cujas roças ficam nas margens do rio Omerê.
Tudo é conduzido com muita cautela por Carelli, que é recebido com desconfiança tanto pelos índios como pelos fazendeiros. Numa das cenas mais tensas do documentário, a equipe do filme tenta chegar perto do único sobrevivente de outro grupo dizimado por pistoleiros -chamado de “índios do buraco” devido ao hábito de cavar fossas profundas em seus barracos.
A sondagem dura seis horas. Já se sabia que o restante da tribo fora atacado e seus acampamentos destruídos. Carelli tinha conseguido a informação numa entrevista com câmera oculta. À medida que a equipe avança, o índio ameaça, apontando uma flecha que atravessa a maloca.
A intenção de registrar a imagem do índio sobrevivente, que serve como prova de sua existência, gera efeito contrário. Ele se sente acuado e revida. Como não há a possibilidade de comunicação, a negociação arrasta-se sem êxito.
Por fim, seu rosto é captado pela câmera numa imagem granulada. “A ironia é que a câmera que o ameaçava será a mesma que vai fazê-lo existir perante a justiça”, ressalta Carelli. O material foi usado para forçar uma interdição da área e garantir a proteção do índio. Após alguns dias, o documentarista teve a notícia de que o índio havia abandonado o barraco e desaparecido de novo.
Mais do que levantar evidências e usá-las no tribunal, Carelli oferece um retrato comovente dos hábitos e costumes desses índios que vivem afastados da civilização como a conhecemos. No ritual que mistura dança e gritos, Txinamanty se solta diante da câmera numa celebração que é acompanhada por Kunibu, o cacique da tribo. Em outros momentos, vemos os índios purificando o corpo dos brancos, numa coreografia de sopros, e a troca de afeto proibido entre amantes de tribos rivais.
“É um balanço da minha carreira. É uma história que eu segui durante 20 anos”, resume o antropólogo Carelli, que começou a experiência do “vídeo nas aldeias” com jovens índios do norte de Mato Grosso, em 1986.
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Filmes de guerrilha enviada por betoleao em Ter 14 de Jul, 2009 08:00 PDT |
Um encontro com o cineasta Rogério Sganzerla em 1999 fez com que o produtor Eugênio Puppo levasse adiante um sonho antigo: reunir a turma do Cinema Marginal e correr atrás dos filmes que sobreviveram ao tempo. A iniciativa esbarrou na relutância dos diretores ainda vivos em retomar um assunto enterrado e no descaso com a conservação desses filmes, que marcaram época na passagem dos anos 70 no Brasil, quando o Cinema Novo perdia suas forças.

Os atores Badu e Betty Faria em cena de "Os Monstros de Babaloo", de Elyseu Visconti
Entrou em cena no país um cinema anárquico, que passou a ser chamado "de invenção", cheio de referência ao modernismo oswaldiano e à chanchada nacional. Que usava pouco dinheiro para criar personagens irreverentes, debochados e prontos para esculhambar o que viesse pela frente. Chegou a cativar o público, com sucessos como “O Bandido da Luz Vermelha” (1968), rodado por Sganzerla como um manifesto, hoje considerado um dos precursores do gênero.
Puppo vasculhou as prateleiras da Cinemateca Brasileira, foi atrás de colecionadores de filmes antigos e marcou encontros com os protagonistas daquela época: Sganzerla, Ozualdo Candeias, Andrea Tonacci, Carlos Reichenbach, entre outros. “Comecei a me dar conta de que havia pouca coisa disponível. Conseguimos com os próprios diretores algumas cópias baleadas em VHS”, diz Puppo. Muitas cópias encontradas na Cinemateca eram de preservação e havia um limite para exibi-las.
Mesmo assim, foram organizadas mostras em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, com mais de 40 filmes em cartaz, que deram um belo recorte da época. Obras muito raras foram apresentadas, como “Caveira, My Friend” (1970), de Álvaro Guimarães. “Foi uma das nossas maiores descobertas. Era um filme que ninguém tinha visto. Achamos uma cópia na casa de um amigo dele, perto de uma farmácia”, conta Puppo.
Para completar o projeto, acaba de ser lançada em DVD uma ampla coleção do Cinema Marginal que contará com 38 filmes, entre curtas e longas-metragens. A parceria é da Heco Produções e da Lume Filmes. A primeira fornada, já disponível, traz quatro discos, divididos por autor, com os clássicos “Bang Bang”, de Andrea Tonacci, “Sem essa, Aranha”, de Rogério Sganzerla, “Meteorango Kid”, de André Luiz Oliveira e “Monstros de Babaloo”, de Elyseu Visconti.
Trópico fez uma longa entrevista com Elyseu Visconti, 70 anos, a fim de entender a explosão criativa que tomou conta dessa geração de jovens cineastas e ouvir histórias de um período conturbado que obrigou essa turma a escapar dos limites da realidade para fazer cinema. Muitas vezes, colocando dinheiro do próprio bolso na produção.
“Eu nunca dependi da Embrafilme. Nós fazíamos filmes com recursos próprios. Julio Bressane vendeu uma quantidade inimaginável de terrenos para começar a fazer o trabalho dele”, conta. O longa “Monstros de Babaloo”, estreia de Elyseu Visconti nos cinemas, ficou dez anos preso na censura, a mando do regime militar. Só foi liberado em 1980.
A dificuldade de filmar levou Visconti a desviar o rumo de suas produções e fazer incursões pelo interior do país. Virou um documentarista preocupado com as manifestações culturais do povo brasileiro. Teve como mestres e parceiros de pesquisa o antropólogo Gilberto Freyre e o folclorista Câmara Cascudo. Rodou uma série de registros etnográficos, como “Boi Calemba” (1979), sobre a festa do boi-bumbá no norte do país.
Ao falar sobre a rivalidade entre Cinema Novo e Cinema Marginal, Visconti tem um detrator na ponta da língua. “Glauber Rocha nos chamava de fascista só porque a gente tinha amizades em São Paulo, com o pessoal da Vera Cruz. Temos que desmistificar o Glauber, ele não passa de um deputado baiano”, dispara. Mas ele também lança seus dardos contra os filmes brasileiros atuais: "Hoje o cinema é uma cópia das novelas, mal influenciado pelo cinema americano. O cinema brasileiro se transformou numa agressividade banal".
Conte um pouco como nasceu o Cinema Marginal?
Elyseu Visconti: O início foi uma experimentação. A gente fazia cinema comunitário, um ajudava o outro e havia uma sintonia grande. Começamos desse jeito: o Rogério Sganzerla, o Julio Bressane, o Neville d'Almeida, o Andrea Tonacci. Eu fazia parte do grupo que produzia no Rio de Janeiro. Foi uma leva muito interessante, que trazia a rivalidade com o Cinema Novo, com o cinema acadêmico, partidário. O nosso era o cinema do olho, o "cinema vérité" (cinema verdade, idealizado pelo documentarista francês Jean Rouch nos anos 60).
Já o Cinema Novo é uma cópia mal feita do Neorrealismo italiano. Toda ideologia e mensagem do Cinema Novo trazem muito do espírito do movimento italiano. Pegue, por exemplo, "Deus e Diabo na Terra do Sol" (1964), de Glauber Rocha. Tudo ali está no cinema de Francesco Rosi, braço direito do Luchino Visconti. Um de seus filmes é o "O Bandido Giuliano" (1962). Há uma grande influência do bandido nos cangaceiros; no personagem Antônio das Mortes, criado pelo Glauber.
O Cinema Marginal deixa de lado esse engajamento político do Cinema Novo?
Visconti: Não. O cinema que fizemos tem engajamento político dentro do valor estético. Havia a intenção de romper com todo o processo de linguagem do cinema brasileiro. Nós fazíamos os filmes com recursos do nosso próprio bolso. Eu nunca dependi da Embrafilme (instituição criada em 1969 para promover e divulgar o cinema nacional). Julio Bressane também não. Só Rogério Sganzerla conseguiu uma grana ali. A Embrafilme só nos prejudicou, porque havia censura da própria instituição, nos roteiros, nos argumentos.
O seu primeiro filme, “Os Monstros de Babaloo” (1970), sofreu com a censura?
Visconti: Foi boicotado por dez anos pelo regime militar. Quem liberou depois o filme foi o Ricardo Cravo Albin, do Concine (Conselho Nacional de Cinema). Meu segundo filme, “Lobisomem, Terror da Meia-Noite” (1971) ficou preso na censura burocrática da Embrafilme. “Barão Olavo, o Horrível” (1970), do Julio Bressane e “Copacabana Mon Amour”, do Rogério Sganzerla, também foram barrados.
O pessoal da Embrafilme não dava o certificado de produto nacional ao filme para que ele fosse exibido. Era obrigatório, por lei, o filme ter esse certificado. Eles acusavam que a gente estava rodando com filme vencido, que tecnicamente as fotografias eram péssimas. Imagina só: um dos melhores fotógrafos do Brasil, o Renato Laclete, estava na ativa naquela época. O Renato era um físico nuclear que largou tudo para fazer cinema. É um excelente fotógrafo.
“Lobisomem” foi seu segundo e último longa-metragem de ficção
Visconti: Tenho outro que não está terminado. Chama-se "A Mulher do Calcanhar de Mármore". A protagonista sai do mar para enfrentar o Carnaval no Rio de Janeiro. Foi filmado durante minha viagem para a Índia, Paquistão e Ceilão. Quem interpreta é a atriz Gracinha Motta. Não foi finalizado porque eu não tinha mais dinheiro e houve um problema político muito grande comigo na época. Mas eu ainda guardo esse material e vou retomar o projeto.
Quando os filmes foram censurados, na década de 70, nós éramos muito amigos de Golbery do Couto e Silva (general e um dos principais mentores da ditadura militar). Telefonamos para ele, o Golbery esculhambou a Embrafilme e mandou soltar os filmes retidos. Depois de mais ou menos dois anos, eu consegui lançar o “Lobisomem” com muita dificuldade. Trouxe o filme para São Paulo e negociei um lançamento em Santos. Foi uma complicação danada. O Serviço Nacional de Informações (órgão de espionagem da ditadura) correndo atrás da gente.
Armei um esquema de segurança para o lançamento. Tinha um distribuidor na rua do Triunfo, na Boca do Lixo, em São Paulo, que me ajudou muito. Outro filme lançado na época foi o “Matou a Família e foi ao Cinema” (1969), do Julio Bressane. Foi exibido no cinema Candelária, em Belo Horizonte. Eu estava junto com ele. A reação do público foi formidável: quebraram o cinema, foi uma bagunça só.
Houve protestos da TFP (Tradição, Família e Propriedade). Lembro que tinha uma multidão na sala, umas mil pessoas, e o choque da polícia teve que invadir. O proprietário do cinema desapareceu, e eu fiquei escondido na sala de projeção, debaixo das latas de filme. Chegou um general baixinho, que parecia uma fera, e mandou prender o filme. Na verdade, a gente já esperava por isso.
O que o regime militar alegava ao prender os filmes?
Visconti: Eles não entendiam a nossa mensagem. Achavam que aquilo era anárquico. E era mesmo. Aos poucos, os filmes eram liberados. “Os Monstros de Babaloo”, por exemplo, foi aliviado porque fazia uma referência ao Médici.
Que tipo de filme a Embrafilme endossava?
Visconti: O que saía da panelinha formada pelo produtor Luiz Carlos Barreto e o exibidor Lívio Bruni. Eles distribuíam os filmes que eram produzidos com dinheiro do Banco Nacional, de Minas Gerais, do José Luís Magalhães Lins, muito ligado a esse pessoal.
Quando chegou a vez do Rogério lançar “O Bandido da Luz Vermelha” (1968), no Rio de Janeiro, eles boicotaram o filme. Encontrei o Rogério num boteco e falei: “Rogério, nós vamos lançar esse filme nem que chova canivete”. Um dos sócios do Lívio Bruni, dono de mais de 300 farmácias no Rio, era meu amigo e topou tocar o projeto adiante. O Rogério mostrou toda a documentação, e ele comprou o filme, passou o cheque na hora.
Isso pressionou o Bruni a lançar o filme. Na calada da noite, conseguimos exibir “O Bandido da Luz Vermelha”, em Copacabana, no Bruni, na mesma sala onde também foi lançado em 1962 “Porto das Caixas”, de Paulo César Saraceni. Foi um momento histórico do cinema brasileiro, porque ninguém esperava pelo lançamento. Não houve nenhum problema com a polícia.
Você considera “O Bandido” o precursor do Cinema Marginal?
Visconti: É o início de tudo. O filme voltou com a linguagem do cinema tradicionalista. O pessoal da velha guarda -Anselmo Duarte, Walter Hugo Khouri- gosta muito do trabalho do Rogério.
Por outro lado, o pessoal do Cinema Novo esculhambava o Cinema Marginal. Glauber Rocha chegou a panfletar em Londres contra o nosso cinema, quando os filmes do Bressane foram exibidos lá. Rogério não deixava por menos. Ele tomou conta da coluna do Rubem Biáfora, no "Estado de S. Paulo", e escreveu metendo o pau no Cinema Novo. Fazia crítica analítica, estudando o processo de linguagem e comparando as estéticas, a fotografia...
Havia uma rivalidade grande entre Cinema Marginal e Cinema Novo?
Visconti: Glauber nos chamava de fascista só porque a gente tinha amizades em São Paulo com o pessoal da Vera Cruz, com o produtor Primo Carbonari. Imagina você que loucura. Eu que fiz guerrilha na antiga Tchecoslováquia, fui preso politicamente, raptei o embaixador norte-americano Charles Elbrick e fiquei incomunicável durante sete meses.
E o Glauber acusando a gente de fascista. É um desprezo total. Temos que desmistificar o Glauber, ele não passa de um deputado baiano. É uma diarréia cinematográfica. Talvez em “Terra em Transe” (1967) ele tenha trazido alguma contribuição, mas tudo cunhado para o Partido Comunista internacional. Só houve críticas de jornalistas que eram ligados ao partidão.
Quer dizer que você não concorda com o mito criado em cima do Glauber Rocha?
Visconti: De maneira nenhuma. Discordo também de o filme “Câncer” (1972) fazer parte dessa coleção do Cinema Marginal. “Câncer” teve dinheiro dos jornais da Bahia, de deputados. Glauber era muito amigo do Juracy Magalhães, um coronel fascista, governador da Bahia.
Isso tudo vinha em conflito com o nosso cinema. O dinheiro de produção era tirado do nosso bolso. Julio Bressane vendeu uma quantidade inimaginável de terrenos para começar a fazer o trabalho dele. Filmava em seguida, na Belair (produtora fundada em 1970 em parceria com Rogério Sganzerla). Quem não estava na patota do Cinema Novo, era fascista.
O Luiz Paulino dos Santos, baiano formidável, foi perseguido pelo Glauber na Bahia e abandonou o cinema. Agora, ele está vivendo no sul de Minas Gerais, tomando Santo Daime. Ele fez um filme fantástico, “Crueldade Mortal”, com música do Baden Powell. É um filme que precisa ser recuperado.
Muitos filmes dessa época sumiram?
Visconti: Muitos negativos desapareceram. Foram procurar, por exemplo, uma cópia do “Deus e Diabo na Terra do Sol” na Cinemateca Francesa. O “Carnaval na Lama” (1970), do Rogério Sganzerla, que eu editei, também sumiu. Você fazia o filme e ficava na prateleira. Muitos filmes não foram nem exibidos. É importante que agora o Eugênio Puppo esteja levantando tudo isso.
Visconti: Estudei na Escola Nacional de Belas Artes, no Rio, durante quatro anos. Desenhava com Abelardo Zaluar e fui aluno de gravura de Oswaldo Goeldi. Em casa, meu pai e minha mãe pintavam, e até a empregada pintava. Era uma loucura. Comecei a fazer estágio no Herbert Richers, em 1959. Fazia documentários, algumas chanchadas, reportagens. Dali, eu fui para o departamento de cinema da TV Rio. Era a época do Walter Clark. Consegui uma bolsa para a França e fiquei três anos lá fazendo escola de cinema para televisão.
Era um momento cultural muito efervescente na França, com a Nouvelle Vague.
Visconti: O ministro da cultura era André Malraux, uma figura genial, revolucionária. Tirou dinheiro do Ministério da Cultura para criar o Cinema Vérité, com o Jean Rouch. Dali, eu fui para a Itália. Tive contato com Pier Paolo Pasolini, Luchino Visconti e Roberto Rossellini. Depois fiz um filme sobre o nazismo na Tchecoslováquia.
E como surgiu o interesse pela cultura nacional, que resultou na realização de vários documentários?
Visconti: Quando "Os Monstros de Babaloo” e “Lobisomen” ficaram presos na censura, eu me auto-exilei no interior do Brasil e comecei a fazer o trabalho de antropologia visual. Antes, eu fiquei depondo no Dops uma semana, sendo investigado. Eles perguntaram sobre a minha origem, minha formação, se eu pertencia a alguma célula comunista, anarquista. Eles não entendiam nada de cinema.
Aí eu fui embora para o interior do país. Comecei a filmar grandes procissões em Bom Jesus da Lapa, à margem do rio São Francisco. Depois eu fiz “Ticumbi” (1978), no Espírito Santo, e “Feira de Campina Grande” (1979). E passei um tempo aprendendo com o Gilberto Freyre. Ele me ajudou muito, foi meu professor. Mais tarde, fui para o Rio Grande do Norte e encontrei Câmara Cascudo, um sábio. Ele me orientou muito nas pesquisas e na antropologia daquela região. Participou dos meus filmes “Boi Calemba” (1979) e “Pastoril” (1982).
Você não voltou a fazer ficção depois disso?
Visconti: Fiz vários roteiros. Um deles com o Luiz Rosemberg, chamado “Capitão Radar contra Paraty, a Cidade do Ouro”. Levei o roteiro para o Luiz Carlos Barreto, para o pessoal do Cinema Novo produzir. E o que eles fizeram? Pegaram o roteiro, chuparam até a última gota, e o Antônio Calmon fez o “O Capitão Bandeira contra o Doutor Moura Brasil” (1971).
Como foi a filmagem de “Os Monstros de Babaloo”?
Visconti: Nós realizamos “Os Monstros” em três ou quatro dias. Enquanto isso, o Julio Bressane fez em dois dias o “Barão Olavo” (1970) na minha casa, no meu estúdio em Teresópolis. Esse jeito ágil de produção é praticamente um trabalho de guerrilha. Em Niterói, encontrei um lugar incrível para rodar “Os Monstros”, no subúrbio, em Alcântara. Muita coisa foi filmada no Rio também. O filme foi rodado em preto e branco para dar a característica do horror. Nós gastamos o que seria hoje uns R$ 3 milhões. Eu paguei todo mundo: Betty Faria, Zezé Macedo, Wilza Carla...
O filme é muito influenciado pela chanchada e pelo cinema erótico.
Visconti: Zezé Macedo é uma caricatura da própria chanchada no filme. Ela foi a rainha da chanchada. É uma figura genial, é o nosso Totó de saias. Era uma grande poetisa. Estava sempre na rádio Nacional, no programa "Bom Bril, Gente que Brilha", na década de 40, recitando suas poesias. Era minha companheira.
No final do filme, tem uma sequência especial de chanchada com ela. A letra da música inclusive é da Zezé. Eu batizei a personagem dela de Frineia, que é a mulher mais bonita da Grécia. A Zezé, depois das operações plásticas, virou um monstro. Há também o aspecto da gula, da comilança, da sensualidade. É o cinema do traste, do horror, do mau gosto. Não é Nelson Rodrigues, pelo amor de Deus. Eu sou oswaldiano.
Hoje em dia o que você tem feito?
Visconti: Eu sou artista plástico. Faço gravuras e continuo desenhando até de madrugada. Pretendo levar uma exposição para a Alemanha. São desenhos expressionistas. Tenho também uma fase impressionista, de paisagens. Estou preparando vários projetos para cinema.
Tenho o roteiro pronto de “Eldorado”, baseado no livro de Couto Magalhães, o primeiro antropólogo do Brasil. Estou vendo se entro em coprodução com a França. Pretendo rodar também “A Sonâmbula”, uma ópera do Rossi. Este filme será rodado no Rio, na Serra dos Órgãos, no Tibete, em Nova York, em Paris e no lago Constance, na Alemanha.
Estou trabalhando também o roteiro de “Laços de Fita”, um conto do Guimarães Rosa. A locação será na beira do rio São Francisco. E preparo também um trabalho sobre a família Visconti, desde a Idade Média até o século 21. Eu não deixo cair a peteca na parte da antropologia visual, isso é importante e está em todos os meus projetos.
Hoje o cinema é uma cópia das novelas, mal influenciado pelo cinema americano. O cinema brasileiro se transformou numa agressividade banal.
Os atores Badu e Betty Faria em cena de "Os Monstros de Babaloo", de Elyseu Visconti
Entrou em cena no país um cinema anárquico, que passou a ser chamado "de invenção", cheio de referência ao modernismo oswaldiano e à chanchada nacional. Que usava pouco dinheiro para criar personagens irreverentes, debochados e prontos para esculhambar o que viesse pela frente. Chegou a cativar o público, com sucessos como “O Bandido da Luz Vermelha” (1968), rodado por Sganzerla como um manifesto, hoje considerado um dos precursores do gênero.
Puppo vasculhou as prateleiras da Cinemateca Brasileira, foi atrás de colecionadores de filmes antigos e marcou encontros com os protagonistas daquela época: Sganzerla, Ozualdo Candeias, Andrea Tonacci, Carlos Reichenbach, entre outros. “Comecei a me dar conta de que havia pouca coisa disponível. Conseguimos com os próprios diretores algumas cópias baleadas em VHS”, diz Puppo. Muitas cópias encontradas na Cinemateca eram de preservação e havia um limite para exibi-las.
Mesmo assim, foram organizadas mostras em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, com mais de 40 filmes em cartaz, que deram um belo recorte da época. Obras muito raras foram apresentadas, como “Caveira, My Friend” (1970), de Álvaro Guimarães. “Foi uma das nossas maiores descobertas. Era um filme que ninguém tinha visto. Achamos uma cópia na casa de um amigo dele, perto de uma farmácia”, conta Puppo.
Para completar o projeto, acaba de ser lançada em DVD uma ampla coleção do Cinema Marginal que contará com 38 filmes, entre curtas e longas-metragens. A parceria é da Heco Produções e da Lume Filmes. A primeira fornada, já disponível, traz quatro discos, divididos por autor, com os clássicos “Bang Bang”, de Andrea Tonacci, “Sem essa, Aranha”, de Rogério Sganzerla, “Meteorango Kid”, de André Luiz Oliveira e “Monstros de Babaloo”, de Elyseu Visconti.
Trópico fez uma longa entrevista com Elyseu Visconti, 70 anos, a fim de entender a explosão criativa que tomou conta dessa geração de jovens cineastas e ouvir histórias de um período conturbado que obrigou essa turma a escapar dos limites da realidade para fazer cinema. Muitas vezes, colocando dinheiro do próprio bolso na produção.
“Eu nunca dependi da Embrafilme. Nós fazíamos filmes com recursos próprios. Julio Bressane vendeu uma quantidade inimaginável de terrenos para começar a fazer o trabalho dele”, conta. O longa “Monstros de Babaloo”, estreia de Elyseu Visconti nos cinemas, ficou dez anos preso na censura, a mando do regime militar. Só foi liberado em 1980.
A dificuldade de filmar levou Visconti a desviar o rumo de suas produções e fazer incursões pelo interior do país. Virou um documentarista preocupado com as manifestações culturais do povo brasileiro. Teve como mestres e parceiros de pesquisa o antropólogo Gilberto Freyre e o folclorista Câmara Cascudo. Rodou uma série de registros etnográficos, como “Boi Calemba” (1979), sobre a festa do boi-bumbá no norte do país.
Ao falar sobre a rivalidade entre Cinema Novo e Cinema Marginal, Visconti tem um detrator na ponta da língua. “Glauber Rocha nos chamava de fascista só porque a gente tinha amizades em São Paulo, com o pessoal da Vera Cruz. Temos que desmistificar o Glauber, ele não passa de um deputado baiano”, dispara. Mas ele também lança seus dardos contra os filmes brasileiros atuais: "Hoje o cinema é uma cópia das novelas, mal influenciado pelo cinema americano. O cinema brasileiro se transformou numa agressividade banal".
Conte um pouco como nasceu o Cinema Marginal?
Elyseu Visconti: O início foi uma experimentação. A gente fazia cinema comunitário, um ajudava o outro e havia uma sintonia grande. Começamos desse jeito: o Rogério Sganzerla, o Julio Bressane, o Neville d'Almeida, o Andrea Tonacci. Eu fazia parte do grupo que produzia no Rio de Janeiro. Foi uma leva muito interessante, que trazia a rivalidade com o Cinema Novo, com o cinema acadêmico, partidário. O nosso era o cinema do olho, o "cinema vérité" (cinema verdade, idealizado pelo documentarista francês Jean Rouch nos anos 60).
Já o Cinema Novo é uma cópia mal feita do Neorrealismo italiano. Toda ideologia e mensagem do Cinema Novo trazem muito do espírito do movimento italiano. Pegue, por exemplo, "Deus e Diabo na Terra do Sol" (1964), de Glauber Rocha. Tudo ali está no cinema de Francesco Rosi, braço direito do Luchino Visconti. Um de seus filmes é o "O Bandido Giuliano" (1962). Há uma grande influência do bandido nos cangaceiros; no personagem Antônio das Mortes, criado pelo Glauber.
O Cinema Marginal deixa de lado esse engajamento político do Cinema Novo?
Visconti: Não. O cinema que fizemos tem engajamento político dentro do valor estético. Havia a intenção de romper com todo o processo de linguagem do cinema brasileiro. Nós fazíamos os filmes com recursos do nosso próprio bolso. Eu nunca dependi da Embrafilme (instituição criada em 1969 para promover e divulgar o cinema nacional). Julio Bressane também não. Só Rogério Sganzerla conseguiu uma grana ali. A Embrafilme só nos prejudicou, porque havia censura da própria instituição, nos roteiros, nos argumentos.
O seu primeiro filme, “Os Monstros de Babaloo” (1970), sofreu com a censura?
Visconti: Foi boicotado por dez anos pelo regime militar. Quem liberou depois o filme foi o Ricardo Cravo Albin, do Concine (Conselho Nacional de Cinema). Meu segundo filme, “Lobisomem, Terror da Meia-Noite” (1971) ficou preso na censura burocrática da Embrafilme. “Barão Olavo, o Horrível” (1970), do Julio Bressane e “Copacabana Mon Amour”, do Rogério Sganzerla, também foram barrados.
O pessoal da Embrafilme não dava o certificado de produto nacional ao filme para que ele fosse exibido. Era obrigatório, por lei, o filme ter esse certificado. Eles acusavam que a gente estava rodando com filme vencido, que tecnicamente as fotografias eram péssimas. Imagina só: um dos melhores fotógrafos do Brasil, o Renato Laclete, estava na ativa naquela época. O Renato era um físico nuclear que largou tudo para fazer cinema. É um excelente fotógrafo.
“Lobisomem” foi seu segundo e último longa-metragem de ficção
Visconti: Tenho outro que não está terminado. Chama-se "A Mulher do Calcanhar de Mármore". A protagonista sai do mar para enfrentar o Carnaval no Rio de Janeiro. Foi filmado durante minha viagem para a Índia, Paquistão e Ceilão. Quem interpreta é a atriz Gracinha Motta. Não foi finalizado porque eu não tinha mais dinheiro e houve um problema político muito grande comigo na época. Mas eu ainda guardo esse material e vou retomar o projeto.
Quando os filmes foram censurados, na década de 70, nós éramos muito amigos de Golbery do Couto e Silva (general e um dos principais mentores da ditadura militar). Telefonamos para ele, o Golbery esculhambou a Embrafilme e mandou soltar os filmes retidos. Depois de mais ou menos dois anos, eu consegui lançar o “Lobisomem” com muita dificuldade. Trouxe o filme para São Paulo e negociei um lançamento em Santos. Foi uma complicação danada. O Serviço Nacional de Informações (órgão de espionagem da ditadura) correndo atrás da gente.
Armei um esquema de segurança para o lançamento. Tinha um distribuidor na rua do Triunfo, na Boca do Lixo, em São Paulo, que me ajudou muito. Outro filme lançado na época foi o “Matou a Família e foi ao Cinema” (1969), do Julio Bressane. Foi exibido no cinema Candelária, em Belo Horizonte. Eu estava junto com ele. A reação do público foi formidável: quebraram o cinema, foi uma bagunça só.
Houve protestos da TFP (Tradição, Família e Propriedade). Lembro que tinha uma multidão na sala, umas mil pessoas, e o choque da polícia teve que invadir. O proprietário do cinema desapareceu, e eu fiquei escondido na sala de projeção, debaixo das latas de filme. Chegou um general baixinho, que parecia uma fera, e mandou prender o filme. Na verdade, a gente já esperava por isso.
O que o regime militar alegava ao prender os filmes?
Visconti: Eles não entendiam a nossa mensagem. Achavam que aquilo era anárquico. E era mesmo. Aos poucos, os filmes eram liberados. “Os Monstros de Babaloo”, por exemplo, foi aliviado porque fazia uma referência ao Médici.
Que tipo de filme a Embrafilme endossava?
Visconti: O que saía da panelinha formada pelo produtor Luiz Carlos Barreto e o exibidor Lívio Bruni. Eles distribuíam os filmes que eram produzidos com dinheiro do Banco Nacional, de Minas Gerais, do José Luís Magalhães Lins, muito ligado a esse pessoal.
Quando chegou a vez do Rogério lançar “O Bandido da Luz Vermelha” (1968), no Rio de Janeiro, eles boicotaram o filme. Encontrei o Rogério num boteco e falei: “Rogério, nós vamos lançar esse filme nem que chova canivete”. Um dos sócios do Lívio Bruni, dono de mais de 300 farmácias no Rio, era meu amigo e topou tocar o projeto adiante. O Rogério mostrou toda a documentação, e ele comprou o filme, passou o cheque na hora.
Isso pressionou o Bruni a lançar o filme. Na calada da noite, conseguimos exibir “O Bandido da Luz Vermelha”, em Copacabana, no Bruni, na mesma sala onde também foi lançado em 1962 “Porto das Caixas”, de Paulo César Saraceni. Foi um momento histórico do cinema brasileiro, porque ninguém esperava pelo lançamento. Não houve nenhum problema com a polícia.
Você considera “O Bandido” o precursor do Cinema Marginal?
Visconti: É o início de tudo. O filme voltou com a linguagem do cinema tradicionalista. O pessoal da velha guarda -Anselmo Duarte, Walter Hugo Khouri- gosta muito do trabalho do Rogério.
Por outro lado, o pessoal do Cinema Novo esculhambava o Cinema Marginal. Glauber Rocha chegou a panfletar em Londres contra o nosso cinema, quando os filmes do Bressane foram exibidos lá. Rogério não deixava por menos. Ele tomou conta da coluna do Rubem Biáfora, no "Estado de S. Paulo", e escreveu metendo o pau no Cinema Novo. Fazia crítica analítica, estudando o processo de linguagem e comparando as estéticas, a fotografia...
Havia uma rivalidade grande entre Cinema Marginal e Cinema Novo?
Visconti: Glauber nos chamava de fascista só porque a gente tinha amizades em São Paulo com o pessoal da Vera Cruz, com o produtor Primo Carbonari. Imagina você que loucura. Eu que fiz guerrilha na antiga Tchecoslováquia, fui preso politicamente, raptei o embaixador norte-americano Charles Elbrick e fiquei incomunicável durante sete meses.
E o Glauber acusando a gente de fascista. É um desprezo total. Temos que desmistificar o Glauber, ele não passa de um deputado baiano. É uma diarréia cinematográfica. Talvez em “Terra em Transe” (1967) ele tenha trazido alguma contribuição, mas tudo cunhado para o Partido Comunista internacional. Só houve críticas de jornalistas que eram ligados ao partidão.
Quer dizer que você não concorda com o mito criado em cima do Glauber Rocha?
Visconti: De maneira nenhuma. Discordo também de o filme “Câncer” (1972) fazer parte dessa coleção do Cinema Marginal. “Câncer” teve dinheiro dos jornais da Bahia, de deputados. Glauber era muito amigo do Juracy Magalhães, um coronel fascista, governador da Bahia.
Isso tudo vinha em conflito com o nosso cinema. O dinheiro de produção era tirado do nosso bolso. Julio Bressane vendeu uma quantidade inimaginável de terrenos para começar a fazer o trabalho dele. Filmava em seguida, na Belair (produtora fundada em 1970 em parceria com Rogério Sganzerla). Quem não estava na patota do Cinema Novo, era fascista.
O Luiz Paulino dos Santos, baiano formidável, foi perseguido pelo Glauber na Bahia e abandonou o cinema. Agora, ele está vivendo no sul de Minas Gerais, tomando Santo Daime. Ele fez um filme fantástico, “Crueldade Mortal”, com música do Baden Powell. É um filme que precisa ser recuperado.
Muitos filmes dessa época sumiram?
Visconti: Muitos negativos desapareceram. Foram procurar, por exemplo, uma cópia do “Deus e Diabo na Terra do Sol” na Cinemateca Francesa. O “Carnaval na Lama” (1970), do Rogério Sganzerla, que eu editei, também sumiu. Você fazia o filme e ficava na prateleira. Muitos filmes não foram nem exibidos. É importante que agora o Eugênio Puppo esteja levantando tudo isso.
Visconti: Estudei na Escola Nacional de Belas Artes, no Rio, durante quatro anos. Desenhava com Abelardo Zaluar e fui aluno de gravura de Oswaldo Goeldi. Em casa, meu pai e minha mãe pintavam, e até a empregada pintava. Era uma loucura. Comecei a fazer estágio no Herbert Richers, em 1959. Fazia documentários, algumas chanchadas, reportagens. Dali, eu fui para o departamento de cinema da TV Rio. Era a época do Walter Clark. Consegui uma bolsa para a França e fiquei três anos lá fazendo escola de cinema para televisão.
Era um momento cultural muito efervescente na França, com a Nouvelle Vague.
Visconti: O ministro da cultura era André Malraux, uma figura genial, revolucionária. Tirou dinheiro do Ministério da Cultura para criar o Cinema Vérité, com o Jean Rouch. Dali, eu fui para a Itália. Tive contato com Pier Paolo Pasolini, Luchino Visconti e Roberto Rossellini. Depois fiz um filme sobre o nazismo na Tchecoslováquia.
E como surgiu o interesse pela cultura nacional, que resultou na realização de vários documentários?
Visconti: Quando "Os Monstros de Babaloo” e “Lobisomen” ficaram presos na censura, eu me auto-exilei no interior do Brasil e comecei a fazer o trabalho de antropologia visual. Antes, eu fiquei depondo no Dops uma semana, sendo investigado. Eles perguntaram sobre a minha origem, minha formação, se eu pertencia a alguma célula comunista, anarquista. Eles não entendiam nada de cinema.
Aí eu fui embora para o interior do país. Comecei a filmar grandes procissões em Bom Jesus da Lapa, à margem do rio São Francisco. Depois eu fiz “Ticumbi” (1978), no Espírito Santo, e “Feira de Campina Grande” (1979). E passei um tempo aprendendo com o Gilberto Freyre. Ele me ajudou muito, foi meu professor. Mais tarde, fui para o Rio Grande do Norte e encontrei Câmara Cascudo, um sábio. Ele me orientou muito nas pesquisas e na antropologia daquela região. Participou dos meus filmes “Boi Calemba” (1979) e “Pastoril” (1982).
Você não voltou a fazer ficção depois disso?
Visconti: Fiz vários roteiros. Um deles com o Luiz Rosemberg, chamado “Capitão Radar contra Paraty, a Cidade do Ouro”. Levei o roteiro para o Luiz Carlos Barreto, para o pessoal do Cinema Novo produzir. E o que eles fizeram? Pegaram o roteiro, chuparam até a última gota, e o Antônio Calmon fez o “O Capitão Bandeira contra o Doutor Moura Brasil” (1971).
Como foi a filmagem de “Os Monstros de Babaloo”?
Visconti: Nós realizamos “Os Monstros” em três ou quatro dias. Enquanto isso, o Julio Bressane fez em dois dias o “Barão Olavo” (1970) na minha casa, no meu estúdio em Teresópolis. Esse jeito ágil de produção é praticamente um trabalho de guerrilha. Em Niterói, encontrei um lugar incrível para rodar “Os Monstros”, no subúrbio, em Alcântara. Muita coisa foi filmada no Rio também. O filme foi rodado em preto e branco para dar a característica do horror. Nós gastamos o que seria hoje uns R$ 3 milhões. Eu paguei todo mundo: Betty Faria, Zezé Macedo, Wilza Carla...
O filme é muito influenciado pela chanchada e pelo cinema erótico.
Visconti: Zezé Macedo é uma caricatura da própria chanchada no filme. Ela foi a rainha da chanchada. É uma figura genial, é o nosso Totó de saias. Era uma grande poetisa. Estava sempre na rádio Nacional, no programa "Bom Bril, Gente que Brilha", na década de 40, recitando suas poesias. Era minha companheira.
No final do filme, tem uma sequência especial de chanchada com ela. A letra da música inclusive é da Zezé. Eu batizei a personagem dela de Frineia, que é a mulher mais bonita da Grécia. A Zezé, depois das operações plásticas, virou um monstro. Há também o aspecto da gula, da comilança, da sensualidade. É o cinema do traste, do horror, do mau gosto. Não é Nelson Rodrigues, pelo amor de Deus. Eu sou oswaldiano.
Hoje em dia o que você tem feito?
Visconti: Eu sou artista plástico. Faço gravuras e continuo desenhando até de madrugada. Pretendo levar uma exposição para a Alemanha. São desenhos expressionistas. Tenho também uma fase impressionista, de paisagens. Estou preparando vários projetos para cinema.
Tenho o roteiro pronto de “Eldorado”, baseado no livro de Couto Magalhães, o primeiro antropólogo do Brasil. Estou vendo se entro em coprodução com a França. Pretendo rodar também “A Sonâmbula”, uma ópera do Rossi. Este filme será rodado no Rio, na Serra dos Órgãos, no Tibete, em Nova York, em Paris e no lago Constance, na Alemanha.
Estou trabalhando também o roteiro de “Laços de Fita”, um conto do Guimarães Rosa. A locação será na beira do rio São Francisco. E preparo também um trabalho sobre a família Visconti, desde a Idade Média até o século 21. Eu não deixo cair a peteca na parte da antropologia visual, isso é importante e está em todos os meus projetos.
Hoje o cinema é uma cópia das novelas, mal influenciado pelo cinema americano. O cinema brasileiro se transformou numa agressividade banal.
Coleção Cinema Marginal Brasileiro:
Os primeiros quatro DVDs foram lançados em maio de 2009. Além dos filmes, traz vários extras, como entrevistas com os diretores, análises feitas por críticos, como Ismail Xavier, e material iconográfico. A partir de julho, serão lançados dois DVDs a cada dois meses, até completar 12 volumes. Preço de cada volume: R$ 44,90.
Vol. 1: Andrea Tonacci. Filmes: "Bang Bang" (longa), "Blá, Blá, Blá" (média), "Olho por Olho" (curta-metragem).
Vol. 2: Rogério Sganzerla. Filmes: "Sem Essa, Aranha" (longa), "A Misse o Dinossauro - Bastidores da Belair", "Histórias em Quadrinhos" (curtas).
Vol. 3: Elyseu Visconti. Filmes: "Os Monstros de Babaloo" (longa), "Ticumbi", "Feira de Campina Grande", "Cavalo Marinho", "Boi Calemba" (curtas).
Vol. 4: André Luiz Oliveira. Filmes: "Meteorango Kid - O Herói Intergalático" (longa), "Doce Amargo", "A Fonte", "O Cristo de Vitória da Conquista" (curtas). Fernando Masini - Revista Trópico
Os primeiros quatro DVDs foram lançados em maio de 2009. Além dos filmes, traz vários extras, como entrevistas com os diretores, análises feitas por críticos, como Ismail Xavier, e material iconográfico. A partir de julho, serão lançados dois DVDs a cada dois meses, até completar 12 volumes. Preço de cada volume: R$ 44,90.
Vol. 1: Andrea Tonacci. Filmes: "Bang Bang" (longa), "Blá, Blá, Blá" (média), "Olho por Olho" (curta-metragem).
Vol. 2: Rogério Sganzerla. Filmes: "Sem Essa, Aranha" (longa), "A Misse o Dinossauro - Bastidores da Belair", "Histórias em Quadrinhos" (curtas).
Vol. 3: Elyseu Visconti. Filmes: "Os Monstros de Babaloo" (longa), "Ticumbi", "Feira de Campina Grande", "Cavalo Marinho", "Boi Calemba" (curtas).
Vol. 4: André Luiz Oliveira. Filmes: "Meteorango Kid - O Herói Intergalático" (longa), "Doce Amargo", "A Fonte", "O Cristo de Vitória da Conquista" (curtas). Fernando Masini - Revista Trópico
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Woodstock vem aí enviada por betoleao em Seg 13 de Jul, 2009 06:52 PDT |
O festival que marcou a geração paz e amor faz 40 anos e volta à cena com o lançamento de livros, filme, discos e DVDs

JIMI HENDRIX tocou o hino nacional dos Estados Unidos com sua guitarra
O ano era 1969. O homem tinha acabado de pisar na lua. Bandas incríveis como Led Zeppelin e Yes lançaram seus discos de estreia. Toda a década de 60 parecia especial, no bom e no ruim: guerra do Vietnã, ditaduras, contracultura, culto à paz, sentimentos antibelicistas, revoluções sociais e políticas. Um caldeirão de fatos e emoções apropriado para um evento arrebatador. E ele aconteceu: Woodstock, o maior e mais celebrado festival de música da história, foi a coroação de 1969 e o marco de uma geração que influenciou mudanças sociais e de filosofias de vida.
O slogan seria "Três dias de paz e música", mas virou "três dias de paz e amor". Essa era a ideia que seria multiplicada mundo afora. Um planeta sem guerras, só de amor, sem fronteiras, com muita liberdade e sexo. A Aids não existia e a pílula anticoncepcional era uma realidade desde o início da década. Tudo era livre. O visual hippie fazia sucesso em jovens cabeludos e adeptos de roupas coloridas. Woodstock foi o apogeu de tudo isso: reuniu cerca de meio milhão de pessoas entre os dias 15 e 18 de agosto, numa fazenda da pequena cidade de Bethel, em Nova York, num evento que o mundo nunca mais esqueceu. Agora, para comemorar os 40 anos do festival, serão lançados livros, discos, shows, DVDs, filme, relançados álbuns e até uma coleção de seis CDs, "Woodstock 40", com 38 gravações inéditas, que chega às lojas no próximo mês.

NO CINEMA O filme de Ang Lee sobre o festival chega às telas dos EUA em agosto
Em agosto o diretor de cinema Ang Lee lança, nos Estados Unidos, a comédia "Taking Woodstock", (Conquistando Woodstock, em tradução livre, sem previsão de estreia no Brasil), baseada em um livro homônimo de Elliot Tiber, que chega às prateleiras nacionais em setembro. No bojo de todas as comemorações, a lembrança de momentos marcantes e emocionantes. Como a apresentação de Jimi Hendrix, na manhã da segunda feira 18 de agosto, para encerrar Woodstock tocando o hino americano e extraindo de sua guitarra sons que simulavam explosões de granadas e rajadas de metralhadora.
A reprodução dessa cena, assim como a de várias outras, está em livros como "The Road to Woodstock", recém-lançado nos EUA (O Caminho para Woodstock, ainda sem previsão de lançamento no Brasil), de Michael Lang, e "Woodstock - Quarenta Anos Depois, o Festival Dia a Dia, Show a Show, Contado por quem Esteve Lá", de Pete Fornatale, que a Agir lança no sábado 25. "E muitas dessas histórias se contradizem", afirma Fornatale, um radialista americano. "Woodstock é um elefante. Talvez até um elefante rosa, dependendo do que você tomava na época", diz, referindo-se ao alto consumo de drogas, outra marca daqueles dias.
O documentário "Woodstock", de 1970, vai ganhar nova edição, com imagens inéditas e a inclusão do histórico show de Janis Joplin. Ela cantou lindamente, mas irritou alguns presentes. "Fiquei um pouco desapontado. Sua voz estava maravilhosa como sempre, mas ela ficava se virando para a banda a todo o momento para dar instruções", lembra Lang em seu livro.
Há negociações para um show oficial de aniversário, que poderá não acontecer devido às divergências entre os quatro sócios antigos. Mas uma apresentação já está confirmada: do Heroes of Woodstock (com músicos que se apresentaram em 1969, como Melanie e Country Joe), no dia 15 de agosto, no local onde aconteceu o festival, organizada pelo Centro Artístico de Bethel Woods.
Os organizadores de Woodstock são quatro: Joel Rosenman, Michael Lang, Artie Kornfeld e John Roberts. Embora a ideia tenha sido genial, eles tiveram prejuízo de US$ 1,3 milhão. Woodstock foi planejado como um evento fechado. Os ingressos para os três dias custaram US$ 18. Mas cerca de meio milhão de pessoas assistiram aos shows e a maioria sem pagar. Simplesmente, a cer ca foi derrubada num rompante coletivo. Os organizadores não tiveram saída: "É um concerto gratuito de agora em diante", anunciou no palco o gerente de produção John Morris. Woodstock custou US$ 2,4 milhões, mas só arrecadou US$ 1,1 milhão com a venda de entradas.

NAS PRATELEIRAS Livros contarão histórias e bastidores
dos três dias de paz e amor
A fazenda virou um território tomado por jovens embalados pelo rock, pelas drogas, pelo álcool e por projetos de harmonizar o mundo. Porém, além da imundície do local faltaram banheiros, comida e segurança -, também há duas mortes, uma por atropelamento e uma por overdose. Curiosamente, também nasceram três bebês ali. O congestionamento gigantesco em Nova York quase levou o governador, Nelson Rockefeller, a acabar com a festa. Diante do caos, os artistas passaram a ir de helicóptero. Mas nada tirou o tom extraordinário de um evento que reuniu Joan Baez, The Who, Janis Joplin, Joe Cocker, John Sebastian e outros grupos importantes.
A escolha da fazenda de 240 hectares onde os shows foram realizados é um dos capítulos mais confusos. As terras pertenciam a Max Yasgur, um grande produtor de laticínios dos EUA. John Roberts contou a Fornatale que o fazendeiro ligou oferecendo ajuda, na condição de que pagassem seu preço. "Ele acrescentou um zero ao nosso aluguel. Em vez de US$ 7,5 mil, tivemos que pagar US$ 75 mil", disse Roberts. Já Lang diz em seu livro que ele mesmo procurou Yasgur e fechou negócio. "Ele calculou quanto perderia com sua plantação de alfafa e quanto custaria plantar tudo de novo", lembra. Fez uma boa aposta. Embora tenha dado prejuízo no passado, Woodstock virou um centro cultural que cobra ingressos. E uma marca que é uma torneira de rendimentos que não fecha nunca.
JIMI HENDRIX tocou o hino nacional dos Estados Unidos com sua guitarra
O ano era 1969. O homem tinha acabado de pisar na lua. Bandas incríveis como Led Zeppelin e Yes lançaram seus discos de estreia. Toda a década de 60 parecia especial, no bom e no ruim: guerra do Vietnã, ditaduras, contracultura, culto à paz, sentimentos antibelicistas, revoluções sociais e políticas. Um caldeirão de fatos e emoções apropriado para um evento arrebatador. E ele aconteceu: Woodstock, o maior e mais celebrado festival de música da história, foi a coroação de 1969 e o marco de uma geração que influenciou mudanças sociais e de filosofias de vida.
O slogan seria "Três dias de paz e música", mas virou "três dias de paz e amor". Essa era a ideia que seria multiplicada mundo afora. Um planeta sem guerras, só de amor, sem fronteiras, com muita liberdade e sexo. A Aids não existia e a pílula anticoncepcional era uma realidade desde o início da década. Tudo era livre. O visual hippie fazia sucesso em jovens cabeludos e adeptos de roupas coloridas. Woodstock foi o apogeu de tudo isso: reuniu cerca de meio milhão de pessoas entre os dias 15 e 18 de agosto, numa fazenda da pequena cidade de Bethel, em Nova York, num evento que o mundo nunca mais esqueceu. Agora, para comemorar os 40 anos do festival, serão lançados livros, discos, shows, DVDs, filme, relançados álbuns e até uma coleção de seis CDs, "Woodstock 40", com 38 gravações inéditas, que chega às lojas no próximo mês.
NO CINEMA O filme de Ang Lee sobre o festival chega às telas dos EUA em agosto
Em agosto o diretor de cinema Ang Lee lança, nos Estados Unidos, a comédia "Taking Woodstock", (Conquistando Woodstock, em tradução livre, sem previsão de estreia no Brasil), baseada em um livro homônimo de Elliot Tiber, que chega às prateleiras nacionais em setembro. No bojo de todas as comemorações, a lembrança de momentos marcantes e emocionantes. Como a apresentação de Jimi Hendrix, na manhã da segunda feira 18 de agosto, para encerrar Woodstock tocando o hino americano e extraindo de sua guitarra sons que simulavam explosões de granadas e rajadas de metralhadora.
A reprodução dessa cena, assim como a de várias outras, está em livros como "The Road to Woodstock", recém-lançado nos EUA (O Caminho para Woodstock, ainda sem previsão de lançamento no Brasil), de Michael Lang, e "Woodstock - Quarenta Anos Depois, o Festival Dia a Dia, Show a Show, Contado por quem Esteve Lá", de Pete Fornatale, que a Agir lança no sábado 25. "E muitas dessas histórias se contradizem", afirma Fornatale, um radialista americano. "Woodstock é um elefante. Talvez até um elefante rosa, dependendo do que você tomava na época", diz, referindo-se ao alto consumo de drogas, outra marca daqueles dias.
O documentário "Woodstock", de 1970, vai ganhar nova edição, com imagens inéditas e a inclusão do histórico show de Janis Joplin. Ela cantou lindamente, mas irritou alguns presentes. "Fiquei um pouco desapontado. Sua voz estava maravilhosa como sempre, mas ela ficava se virando para a banda a todo o momento para dar instruções", lembra Lang em seu livro.
Há negociações para um show oficial de aniversário, que poderá não acontecer devido às divergências entre os quatro sócios antigos. Mas uma apresentação já está confirmada: do Heroes of Woodstock (com músicos que se apresentaram em 1969, como Melanie e Country Joe), no dia 15 de agosto, no local onde aconteceu o festival, organizada pelo Centro Artístico de Bethel Woods.
Os organizadores de Woodstock são quatro: Joel Rosenman, Michael Lang, Artie Kornfeld e John Roberts. Embora a ideia tenha sido genial, eles tiveram prejuízo de US$ 1,3 milhão. Woodstock foi planejado como um evento fechado. Os ingressos para os três dias custaram US$ 18. Mas cerca de meio milhão de pessoas assistiram aos shows e a maioria sem pagar. Simplesmente, a cer ca foi derrubada num rompante coletivo. Os organizadores não tiveram saída: "É um concerto gratuito de agora em diante", anunciou no palco o gerente de produção John Morris. Woodstock custou US$ 2,4 milhões, mas só arrecadou US$ 1,1 milhão com a venda de entradas.
NAS PRATELEIRAS Livros contarão histórias e bastidores
dos três dias de paz e amor
A fazenda virou um território tomado por jovens embalados pelo rock, pelas drogas, pelo álcool e por projetos de harmonizar o mundo. Porém, além da imundície do local faltaram banheiros, comida e segurança -, também há duas mortes, uma por atropelamento e uma por overdose. Curiosamente, também nasceram três bebês ali. O congestionamento gigantesco em Nova York quase levou o governador, Nelson Rockefeller, a acabar com a festa. Diante do caos, os artistas passaram a ir de helicóptero. Mas nada tirou o tom extraordinário de um evento que reuniu Joan Baez, The Who, Janis Joplin, Joe Cocker, John Sebastian e outros grupos importantes.
A escolha da fazenda de 240 hectares onde os shows foram realizados é um dos capítulos mais confusos. As terras pertenciam a Max Yasgur, um grande produtor de laticínios dos EUA. John Roberts contou a Fornatale que o fazendeiro ligou oferecendo ajuda, na condição de que pagassem seu preço. "Ele acrescentou um zero ao nosso aluguel. Em vez de US$ 7,5 mil, tivemos que pagar US$ 75 mil", disse Roberts. Já Lang diz em seu livro que ele mesmo procurou Yasgur e fechou negócio. "Ele calculou quanto perderia com sua plantação de alfafa e quanto custaria plantar tudo de novo", lembra. Fez uma boa aposta. Embora tenha dado prejuízo no passado, Woodstock virou um centro cultural que cobra ingressos. E uma marca que é uma torneira de rendimentos que não fecha nunca.
Fonte: ISTOÉ
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CAMINHOS DO CINECLUBISMO enviada por betoleao em Seg 13 de Jul, 2009 06:37 PDT |
CINECLUBE CASCAVEL (ABD-GO) APRESENTA NESTA TERÇA-FEIRA, 14,
UM PANORAMA MUNDIAL DO CINECLUBISMO
E DA DISTRIBUIÇÃO ALTERNATIVA DE CONTEÚDOS AUDIOVISUAIS
CAMINHOS DO CINECLUBISMO
Direção: Diomédio Spikator
Com
PAOLO MINUTO
da Federação Italiana de Círculos de Cinema e
presidente da Federação internacional de Cineclubes
JULIO LAMAÑA
da Federação Catalã de Cineclubes
e Coordenador da CineSud, distribuidora mundial de filmes independentes
Os dirigentes internacionais da Federação Internacional de Cineclubes farão uma exposição sobre o movimento dos cineclubes, com organizações nacionais em mais de 70 países, e as perspectivas da atividade cultural audiovisual neste momento de grandes mudanças tecnológicas, que exigem criatividade na definição de novas formas de circulação dos produtos culturais e de inclusão de públicos.
A CineSud é uma distribuidora de conteúdos audiovisuais com escritórios na Espanha e no México – e representação no Brasil – que reúne uma importante produção independente, que já inclui mais de 20 países, licenciada para a circulação sem fins lucrativos em cineclubes e cinemas de caráter cultural.
A palestra ocorre paralelamente ao IV Encontro Ibero-Americano de Cineclubes, que se realiza de 20 a 25 de janeiro dentro do Festival de Atibaia Internacional do Audiovisual, com a presença de 10 países: Argentina, Bolívia, Brasil, Colômbia, Cuba, Equador, Espanha, México, Portugal, Uruguai, além da Itália.
Na mesa, além dos palestrantes internacionais, estarão WALTÉRIO ZANVETTOR, diretor executivo da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo e FELIPE MACEDO, presidente da Federação de Cineclubes do Estado de São Paulo.
UM PANORAMA MUNDIAL DO CINECLUBISMO
E DA DISTRIBUIÇÃO ALTERNATIVA DE CONTEÚDOS AUDIOVISUAIS
CAMINHOS DO CINECLUBISMO
Direção: Diomédio Spikator
Com
PAOLO MINUTO
da Federação Italiana de Círculos de Cinema e
presidente da Federação internacional de Cineclubes
JULIO LAMAÑA
da Federação Catalã de Cineclubes
e Coordenador da CineSud, distribuidora mundial de filmes independentes
Os dirigentes internacionais da Federação Internacional de Cineclubes farão uma exposição sobre o movimento dos cineclubes, com organizações nacionais em mais de 70 países, e as perspectivas da atividade cultural audiovisual neste momento de grandes mudanças tecnológicas, que exigem criatividade na definição de novas formas de circulação dos produtos culturais e de inclusão de públicos.
A CineSud é uma distribuidora de conteúdos audiovisuais com escritórios na Espanha e no México – e representação no Brasil – que reúne uma importante produção independente, que já inclui mais de 20 países, licenciada para a circulação sem fins lucrativos em cineclubes e cinemas de caráter cultural.
A palestra ocorre paralelamente ao IV Encontro Ibero-Americano de Cineclubes, que se realiza de 20 a 25 de janeiro dentro do Festival de Atibaia Internacional do Audiovisual, com a presença de 10 países: Argentina, Bolívia, Brasil, Colômbia, Cuba, Equador, Espanha, México, Portugal, Uruguai, além da Itália.
Na mesa, além dos palestrantes internacionais, estarão WALTÉRIO ZANVETTOR, diretor executivo da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo e FELIPE MACEDO, presidente da Federação de Cineclubes do Estado de São Paulo.
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