Ótimos curtas, longs nem tanto:
A seleção de curtas (em 35 mm e digitais) do CinePE somou 32 títulos. Filmes muito bons. No digital, um curta paraibano, realizado em apenas 2 horas, fez barba, cabelo e bigode: O Guardador.
Ganhou o Prêmio Especial do Júri, o Prêmio da Crítica (que disputou com os 35 mm) e o Prêmio Aquisição do Canal Brasil. Sintético e revelador (de um personagem incrível: um funcionário que guarda cadáveres no Laboratório de Anatomia da UFPB), o filme mostra que, mais que dinheiro, o que faz um bom filme (seja em que suporte for!!!) é a sensibilidade do realizador. Já tinha visto o filme no FEST ARUANDA e fiquei apaixonada. Adorei REVER...
Entre os curtas em 35 mm (participei do júri, como substituta do titular, Alcione Araújo, que não pôde comparecer) havia uns oito que mereciam muitos prêmios. Excelentes. Optamos pelo mineiro Os filmes que não fiz, do hilário e desengonçado Gilberto Scarpa, formado em Belas Artes. O filme dele é metalinguístico (todo mundo sabe de minhas birras com a metalinguagem!!), mas não se perde em referências excessivas. É cheio de humor, vida, talento... Fascinou o júri, o público e até parte dos críticos...
Os filmes de animação da temporada também causaram frisson: Dossiê Rê Bordosa, cujo diretor faz documentário em animação (isto mesmo!!!), flertando com a ficção, é excelente. Até o Sol Raiar é encantador (....) E pensar que o CineCeará não selecionou NENHUMA animação!!!
Já os longas(oito, no total) não arrebataram
A critica cinematográfica presente ao Festival decidiu, por unanimidade, não dar o prêmio de melhor longa, por entender que sua função é indicar aquele filme que traz um plus, algo especial... Não encontrou nenhum com tal característica na seleção pernambucana deste ano... Uma opção curatorial (só filmes inéditos) engessou a seleção. Se metade (4) fossem 100% inéditos e metade composta com inéditos somente no circuito comercial, o XII CinePE teria tido uma mostra bem melhor. Alfredo Bertini, que dirige o Festival, disse aos jornalistas que talvez a safra 2008 não seja das melhores, que houve acúmulo de festival nas últimas semanas (CineCeará, Sergipe e Recife) e que alguns filmes dos mais promissores (Feliz Natal, de Selton Mello, etc, etc) não ficaram prontos em tempo).
Maria do Rosário Caetano é jornalista, formada em Comunicação (Jornalismo) e Letras (Língua e Literatura Portuguesa) na UnB (Universidade de Brasília). Em 21 anos de jornalismo, trabalhou no Jornal de Brasília, Correio Brasiliense, TV Globo/Brasília e em diversos jornais alternativos e revistas. Atualmente colabora com o Caderno 2, de O Estado de São Paulo, e com a revista Cinema, editada pelo Espaço Unibanco de Cinema. Organizou o livro Paulo Freire e a Educação Brasileira (Frente Cultural de Brasília / Gráfica-Escola do Sindicato dos Jornalistas do DF) e colaborou com Joaquim Pedro de Andrade e equipe no roteiro-livro O Imponderável Bento (Marco Zero / Cinemateca Brasileira).
